Contei os meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados, ou ver pessoas que à minha frente são uma coisa e nas minhas costas, são completamente diferentes. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando os seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha, apesar de saber que há gente (algumas pessoas bem perto de ti) que passam a vida a falar de mim e até de nós. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas, invejosas, obsessivas.
Detesto fazer acareação de desafetos, sou mais de afetos, de atitudes, de mostrar que gosto por actos e também por palavras.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. O meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, a minha alma tem pressa para continuar a receber tudo o que sempre deste e que te “esqueces” de dar quando andas mais cansada. A grande questão é que o “prejudicado” é sempre quem está mais perto…
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana. Eu sei rir-me dos meus tropeços, não me encanto com triunfos, não te considero eleita antes da hora, não fujo da minha mortalidade, quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, assim como tu. Sabes porquê?
Porque tudo o que é essencial faz a vida valer a pena, como tu fazes.
E para mim, basta o essencial!
LOVE YOU TO THE MOON AND BACK